sexta-feira, 18 de março de 2011

Afif confirma saída do DEM para fundar partido com Kassab

Afif confirma saída do DEM para fundar partido com Kassab



O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, confirmou nesta sexta-feira que deixará o DEM para fundar um novo partido ao lado do prefeito Gilberto Kassab.
"Vou conversar com o Kassab hoje para fazer as confirmações finais. Mas a decisão é esta [sair para criar um novo partido]", disse Afif.
No dia 24 de fevereiro, a Folha revelou que o prefeito deixaria o DEM para fundar um novo partido e que levaria o vice de Geraldo Alckmin com ele.
Com a movimentação, Kassab espera consolidar uma terceira via política no Estado e viabilizar sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. O plano incomoda o palácio, já que Kassab desponta para a sucessão de Alckmin, que poderá concorrer à eleição.
Apesar disso, Afif garante que a "aliança" com o governador será mantida. "Sou o vice-governador do Estado e vou cumprir até o fim a minha aliança com o Geraldo Alckmin", disse.
Afif e Kassab almoçarão hoje para acertar os últimos detalhes. Eles deverão formalizar o anúncio do novo partido na segunda-feira. Kassab já reservou um auditório na Assembleia Legislativa para um "ato político" na data.
O partido fundado por Kassab, até então chamado de PDB (Partido da Democracia Brasileira), terá o nome definitivo decidido hoje.
"O nome será definido hoje. Vou conversar com o Kassab para os acertos finais. Mas agora não são mais hipóteses. São fatos", afirmou Afif.
Alessandro Shinoda - 14.set.2010/Folhapress
Guilherme Afif Domingos confirma saída do DEM para fundar novo partido com Kassab
Guilherme Afif Domingos confirma saída do DEM para fundar novo partido com Kassab

Para Lázaro Ramos, visita de Obama ajudará negros do Brasil

Para Lázaro Ramos, visita de Obama ajudará negros do Brasil

DA BBC BRASIL

Um dos novos expoentes entre os artistas negros no Brasil, o ator Lázaro Ramos acredita que a visita de Barack Obama e sua família pode ter um forte impacto para a autoestima da população negra brasileira, e diz que o presidente tem um valor simbólico "inestimável" para além de sua política.
"Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais", diz Ramos em entrevista à BBC Brasil.
Morador do Rio, o ator baiano pretende ir assistir ao discurso de Obama na Cinelândia no domingo e, se possível, levar sua câmera para filmar Obama mais uma vez. Ele fez questão de comparecer à posse em Washington em 2009, e as emoções que captou com sua câmera no Capitólio e ao seu redor viraram o minidocumentário "O dia da posse de Obama".
Rafael Andrade/Folhapress
Lázaro Ramos
Lázaro Ramos diz que visita de Barack Obama e sua família pode ter forte impacto para a autoestima da população negra brasileira
"Acho que retratei o que foi histórico naquele momento, que eram as pessoas de várias etnias e classes sociais se sentindo representadas por aquele cara, num dia em que a esperança era quase possível de tocar", diz Ramos.
O ator diz que sua admiração não diminuiu com o governo de Obama, e ressalta estar interessado mais no que o presidente e sua família simbolizam do que em sua política.
Atual galã da novela das oito da Rede Globo, "Insensato Coração", Ramos é casado com a atriz Taís Araújo e está prestes a ser pai. Diz que a família de Obama é um exemplo para ele.
"Eu gostaria de ser aquela família, sabe? Para nós, que somos de um país com população de maioria negra, é muito importante receber essa família."
Leia aqui os principais trechos da entrevista.
Lázaro, você vai ver o discurso do Obama no domingo?
Estou me programando para ir. Quero ver o que ele vai falar no Brasil. Obama é simbólico e é importantíssimo estar atento aos seus atos. Inclusive vou levar um DVD do documentário para ver se eu consigo entregar a ele.
O que você acha que a visita do Obama representa para o Brasil?
Politicamente, acho que é a visita de mais um líder mundial. Sempre é saudável ver a interação do nosso país com outros líderes. Mas, simbolicamente, acho que tem o mesmo efeito que teve em sua eleição. No momento da campanha dele, a gente se identificava muito com ele aqui no Brasil.
O Obama tem um valor inestimável simbolicamente, e por isso acho tão importante eu ter tido a oportunidade de estar lá no dia da posse. Não só por ele ser negro, mas pelas coisas que ele fala, pelas atitudes que ele tomou como senador, pela família que ele constituiu.
Simbolicamente, sua trajetória teve um efeito incalculável em mim e em várias pessoas que conheço. Ainda mais em uma nação como os Estados Unidos, que passou oito anos sob o comando de Bush, um dos presidentes mais equivocados que a história do mundo já produziu. De repente passar de Bush para o Obama foi uma mensagem para o mundo da população americana, que resolveu tomar outra direção.
Você acha que o fato de ele ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos vai ter um impacto forte para a população negra brasileira?
Ah, claro que sim. Acho que isso afeta a nossa autoestima de uma maneira incalculável. Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais, a se sentir mais possível. Eu falo de criança porque geralmente é onde referências são importantes, mas para mim ele também é uma superreferência.
Quando o Obama foi eleito, o clima era de esperança em grandes mudanças. Mas hoje muitos se dizem decepcionados com sua política e com as promessas que ainda não se concretizaram. Você é um deles?
Eu me apego ao Obama como valor simbólico. Na relação política, acho que ele é um político como qualquer outro. Pegou um país em crise e está passando por dificuldades por que qualquer líder passaria, pegando um país como os Estados Unidos quebrado como estava.
Mas nem me apego tanto a isso porque ele é presidente dos americanos, não é? Meu presidente foi Lula e agora é Dilma. Eu fico acompanhando mais a Dilma. Mas fico sempre na torcida para que o governo de Obama dê certo, porque esse cara é muito importante para a história mundial.
Então você não tem um olhar crítico sobre a sua política?
Politicamente, os interesses são do povo americano, do partido democrático, e aí são outros quinhentos. Quando me perguntam sobre o Obama, sempre faço questão de ressaltar esse lado simbólico dele. Acho que isso é o que mais nos afeta.
E quando falo desse lado simbólico do Obama, falo também da família dele. Não consigo excluir a Michelle e as filhas como um referencial. Eu gostaria de ser aquela família, sabe? Para nós que somos de um país com população de maioria negra, é muito importante receber essa família. Um cara que cuida tão bem da sua família, uma mulher que está ali parceira de seu marido, e também com um discurso bacana, com projetos interessantes. Isso me toca como brasileiro.
O que te levou a ir filmar a posse de Obama?
Acho que era óbvio que eu tinha que ir, porque foi uma data que teve o tamanho do discurso do Martin Luther King, do dia das Diretas Já. Eu estava estudando inglês e cinema em Nova York, tão próximo. Entrei num trem e comecei a filmar. E foi muito interessante, porque acabei tendo um enfoque que poucas pessoas tiveram. Depois procurei no YouTube e vi que ninguém tinha feito a mesma coisa.
Como eu não consegui acesso oficial para filmar o discurso, resolvi filmar a minha situação de cidadão comum, saindo de Nova York até Washington. Foi ótimo, porque filmei as pessoas no vagão comigo, saindo na estação do trem, a emoção das pessoas. Entrevistei gente que veio de vários locais diferentes. Acho que eu retratei o que é histórico naquele momento, que eram as pessoas de várias etnias e classes sociais se sentindo representadas por aquele cara, num dia em que a esperança era quase possível de tocar.
Esse é o momento que fica da posse do Obama. O que vem depois é a trajetória de todo político, com altos e baixos e buscando defender os interesses da sua nação.
Você pretende filmar o discurso na Cinelândia no domingo?
Se deixarem, né? Não sei como vai ser o esquema lá. Vou pedir autorização, mas não sei se vou conseguir.
Em breve você também vai ser pai. Pensando no futuro de seu filho, o que você espera que mude no Brasil em relação à diversidade racial?
Espero que a gente consiga valorizar o nosso maior patrimônio, que é a diversidade. Temos tido melhoras no nosso país, mas ainda está longe do ideal. Ainda não entendemos que a diversidade é um valor e que podemos conviver com ela de maneira saudável, um respeitando o outro e garantindo direitos iguais para todos. Isso que eu espero, mas não só para o meu filho, não. Se estiver bom para todo mundo vai estar bom para ele.
Você disse que gostaria de ser parte da família de Barack Obama. Se você pudesse conhecê-los, o que gostaria de mostrar do Brasil?
Como baiano corporativo, eu diria para ele: "Pô, Obama, tu já chegou aí no Rio, agora vamos dar uma voltinha ali no Pelourinho pra você conhecer também!" (risos) Acho que se o Obama vier para a Bahia ele não volta para os Estados Unidos não, ele fica.

Fonte:Folha de S.Paulo

Falta de médicos e demora no atendimento geram revolta

Falta de médicos e demora no atendimento geram revolta
Patrícia teve de "implorar" para passar com especialista no Hospital Regional no fim de semana
Ariane Noronha
De Ferraz
Daniel Carvalho

Paciente reclama do tratamento aos usuários e da enorme fila de espera que se estende pelos corredores do Hospital Regional Osíris Florindo Coelho, em Ferraz
O Hospital Osíris Florindo Coelho, de Ferraz de Vasconcelos, mais uma vez é alvo de reclamações quanto à falta de médicos, ao atendimento e às filas de espera gigantescas que se estendem pelos corredores. Pacientes e usuários da unidade regional estão revoltados com a ausência de profissionais que é registrada todos os dias.
Segundo a estudante Patrícia da Silva Reis, de 32 anos, ela teve de "implorar" para receber atendimento no último fim de semana, já que estava passando mal e sentindo falta de ar. "Fui ao hospital também no sábado retrasado e não havia médico. Os funcionários dizem que isso está acontecendo há algum tempo. Não há clínico-geral e médico emergencial, apenas cirurgião que só atende quem vai de Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)", relatou. Patrícia, que chegou ao hospital acompanhada pela irmã, tem asma- doença inflamatória crônica das vias aéreas - e foi até lá porque estava com falta de ar e mal conseguia andar e falar.
De acordo com a estudante, depois de muita insistência, uma enfermeira que se dizia responsável pelo setor apenas mediu sua pressão e a liberou. "Ela me disse que estava tudo normal e eu via que não estava. Ainda por cima me pediu para ir ao Hospital de Poá. Para conseguir atendimento em Ferraz, tem de desmaiar e chamar o Samu, se não a gente não é atendido. Acho um desrespeito, um descaso com a população", disse ela, inconformada.
Durante a longa espera, Patrícia contou ainda que várias pessoas passavam mal e reclamavam da demora no atendimento e que não havia médico para atender a demanda. "Vi três cirurgiões indo tomar café enquanto os pacientes passavam mal. Eles são médicos e isso é omissão de socorro. Achei um absurdo. Saí de lá quase chorando, indignada", desabafou.
Para Patrícia, os fins de semana são os piores dias no hospital e o número de médicos é visivelmente reduzido. "Durante a semana a procura por médicos é grande, mas pelo menos há especialistas. Fim de semana é precário. Para eles, isso é natural, mas para a gente não é", finalizou.



Resposta
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que não faltam médicos no Hospital Regional e que o quadro de funcionários não é reduzido no fim de semana. Ainda segundo o órgão, o pronto socorro atende vários municípios da região e quando a procura é grande os pacientes passam por uma qualificação de urgência de atendimento.



Fonte: O Diário de Mogi

Mendigos itinerantes

Mendigos itinerantes

O grupo de mendigos tornou-se itinerante. Depois de passarem os dias e noites nas praças do Shangai, Sacadura Cabral e Bom Jesus, agora, eles rumam para a Francisco Ribeiro Nogueira, o antigo Largo 1º de Setembro, também na região central.
A presença dos moradores de rua, a maioria de outras cidades e dependentes de álcool e drogas, levou comerciantes do largo a solicitarem a atuação da Secretaria Municipal de Assistência Social.
Agora, esses comerciantes repetem a via-crucis já vivida por outros lojistas, em especial, que têm problemas com as discussões, brigas e o cotidiano dessas pessoas que transformam a rua em casa: improvisam banhos e camas, fazem as necessidades fisiológicas à frente de todos.
Os comerciantes do Largo Francisco Ribeiro Nogueira temem prejuízos com a perda da clientela. Tal como acontece em outros espaços públicos frequentados por mendigos.
Apesar das medidas adotadas como a colocação à disposição dos moradores as casas de acolhimento desse público na Cidade, a Pasta tem feito o que lhe é possível. Não há, na lei, brecha para se impedir os moradores de transitarem livremente, de dormirem e viverem nas praças. Então, como tratar a questão?
Trata-se mesmo de um drama social. Neste caso, amplificado por uma outra realidade: assistentes sociais da Administração detectaram a presença entre esses moradores de rua de marginais, gente que se mistura a eles, e vive de pequenos delitos. São criminosos que estão se aproveitando dessa situação para manterem seus vícios.
A situação está chegando a um ponto que exige, da Cidade, uma ação mais intensa, com a participação de todos, não apenas do poder público ou da Polícia que, como vemos, não têm conseguido estancar o crescimento desses moradores.
Entre alguns caminhos, o mais emergencial é a participação da população na denúncia dos crimes, quando eles acontecerem: e, aí sim, a Polícia deverá agir para impedir o crescimento desse grupo. Por outro lado, a efetivação de projetos, como o novo Cras, para a assistência apenas à essa população, e a ampliação da oferta do atendimento contra a dependência química, careciam de ser postos em prática mais rapidamente.
Sem eles, como esse grupo tem na rua um aliado a mais para a permanência no vício, Mogi continuará sem conseguir resolver essa situação, semanalmente registrada por este jornal.

Fonte: O Diário de Mogi