Mogi das Cruzes comemora a vinda da colônia que influenciou em sua formação social, cultural e econômica
Luana Nogueira
Da Reportagem Local
Jorge Moraes
O médico Nobolo Mori, fundador do Hospital Ipiranga, foi a inspiração do artista plástico que fez a escultura da praça do Imigrante
Há exatamente 103 anos, chegava ao Brasil o primeiro grupo de imigrantes japoneses. Eles desembarcaram do navio Kasato Maru, no Porto de Santos, e, em julho 1919, a primeira família japonesa se instalava em solo mogiano. A formação da sociedade e da identidade cultural de Mogi das Cruzes teve grande participação dos imigrantes japoneses.
Os primeiros que chegaram à cidade trouxeram na bagagem experiências e hábitos que, aos poucos, foram introduzidos na cidade. A dificuldade de se adaptar ao idioma e aos costumes brasileiros foi um dos desafios dos recém-chegados. O empreendedorismo e o sentimento de união deste povo ajudaram a construir a cidade e a modernizar a agricultura.
No início do século 20, a situação econômica do Japão não era propícia para o crescimento igualitário. Em contrapartida, o Brasil tinha abolido a escravidão e precisava de mão de obra para cultivar as plantações de café, que na época era o principal produto de exportação.
Por causa do clima ameno e o bom solo, Mogi foi escolhida por muitos imigrantes como reduto. "Mogi era uma cidade pobre e pacata, na periferia de São Paulo, ponto apenas de tropeiros. A imigração japonesa vitalizou as zonas urbanas e rurais, por meio de um modelo especial de desenvolvimento. No Brasil, existia o latifúndio e os japoneses trouxeram o minifúndio. Havia a monocultura e eles trouxeram a policultura. Tinha uma mão de obra escrava e foi trazida a familiar. A vinda dos imigrantes é um virar de página na história de Mogi", afirmou o historiador Mário Sérgio de Moraes.
Segundo Moraes, grande parte dos imigrantes que chegavam dos navios da ilha oriental não era da área agrícola. "Existiam muitos desempregados, pessoas que eram vistas sem qualificação no Japão, mas que viram aqui uma oportunidade imensa de desenvolvimento. Elas chegavam com uma mão na frente e outra atrás, mas eram portadoras de relação exemplar com o campo. Se fôssemos comparar o Brasil daquela época com o Japão, estaríamos como pelo menos 50% a mais de riqueza que eles", explicou.
Economia
A terra adquirida por um preço mais em conta que a do oeste paulista, terra do café, fez com que os imigrantes japoneses buscassem Mogi como destino. "Os imigrantes chegavam e trabalhavam, faziam economia e em seguida compravam uma propriedade. Eles começaram a plantar e a abastecer o mercado com produtos diferentes, como tomate e verduras que ninguém conhecia. Os italianos conheciam o tomate, por isso, os japoneses passaram a vender os produtos para o mercado de São Paulo. Eles começaram a se fortalecer e fundaram o Sindicato Agrícola de Mogi das Cruzes", esclareceu o historiador.
A época mais próspera para os imigrantes foi entre a metade dos anos 1950 e o início da década de 1980. "Com a superinflação, muitos produtores faliram", justificou Moraes. "Nós não somos mogianos, mas mogiponeses. Não há na cidade nenhum aspecto que não tenha tido a influência positiva dos japoneses. Nossa culinária japonesa é respeitada e o comércio também foi muito beneficiado com a participação deles, por exemplo. Mogi não seria exatamente o que é se não fosse a colônia japonesa. Ela frutificou em todos os sentidos".
Fonte:Mogi News
O primeiro vereador da colônia japonesa em Mogi das Cruzes foi Taro Konno. Depois dele, muitos outros vieram. O atual deputado federal Junji Abe (DEM) foi o primeiro descendente a se eleger prefeito da cidade.
"A eleição dessas pessoas acabou acontecendo pela necessidade de lutar pelas melhorias na zona rural e nas estradas, para o escoamento da produção", apontou o vereador Pedro Komura (PSDB).
Para Junji, a gratificação de poder representar os interesses tanto da colônia quanto de outras pessoas é a sua principal motivação. (L.N.)
Fonte:Mogi News
Investimento planejado para ampliação é de R$ 110 milhões e obras começam em três meses
Willian Almeida
Da Reportagem Local
Reprodução
Parque fabril da Air Products: empresa decidiu permanecer em Mogi e construir nova fábrica, que deve ficar pronta até janeiro de 2013
A Air Products, empresa de produtos químicos, anunciou a construção de uma nova fábrica em Mogi das Cruzes. A unidade vai ser construída no mesmo endereço onde está instalada a fábrica atual, na Vila Industrial. A diretoria da empresa acredita que a obra deva gerar aproximadamente 400 empregos, dos quais 150 para trabalhar após a instalação, prevista para ocorrer em janeiro de 2013. As vagas restantes serão preenchidas durante a parte civil da construção. O anúncio ocorreu na tarde de ontem na Prefeitura.
O investimento na segunda fábrica está estimado em R$ 110 milhões. Após entrar em operação, irá substituir a unidade atual. Com isso, a empresa acredita que vai melhorar a eficiência para atender o mercado de gases industriais de São Paulo. Em Mogi, a Air Products produz oxigênio, nitrogênio e argônio. Os gases são vendidos para o mercado de processamento de metais, vidros, alimentos, indústrias de papel e siderúrgicas. Além disso, os produtos também são utilizados em hospitais.
Durante o anúncio, o prefeito Marco Bertaiolli (DEM) comemorou o investimento da empresa, que corria o risco de deixar a cidade. Bertaiolli aproveitou para criticar o que chamou de guerra fiscal, em que cidades e Estados brigam para atrair indústrias de grande porte. "Nós estamos sempre buscando investimentos para a cidade. Estamos há seis meses, sem fazer alarde, tratando com a Air Products para que a fábrica não saia de Mogi. Os impostos não podem servir como instrumentos de guerra", disse o prefeito, ao comentar também que a empresa terá direito à isenção por tempo a ser definido, e que não pode ser superior a 15 anos, do Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Serviços (ISS). A diferença entre a isenção e a situação apresentada por Bertaiolli é que a isenção dos dois impostos municipais é prevista pela lei 5.926, de 26 de outubro de 2006.
A isenção dos impostos foi um dos motivos para a permanência da fábrica na cidade. Segundo o diretor de operações da Air Products, José Roberto Indalecio, a matriz americana, localizada na Pensilvânia, pretendia retirar a unidade de Mogi. "A isenção foi uma das causas. Mas entrou também o sentimento porque, conforme eu disse anteriormente, me sinto um mogiano. Além disso, aqui também temos um bom relacionamento e o apoio do poder público", disse.
O projeto de lei que autoriza a isenção dos impostos à fábrica vai ser encaminhado em breve à Câmara. Segundo o presidente da Casa de Leis, Mauro Araújo (PSDB), o projeto não deverá encontrar problemas para ser aprovado. "Posso dizer que vamos acelerar a análise desse projeto e contribuir para que esse importante investimento seja aplicado na cidade", disse.
Boa parte das 150 contratações a serem feitas a partir de janeiro de 2013, quando a nova unidade entrar em operação, será destinada a caminhoneiros e ajudantes. Estas contratações só vão ocorrer quando a fábrica estiver pronta. Estima-se que a arrecadação atual de R$ 70 milhões/ano com o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dobre com a nova fábrica.
Fonte:Mogi News
90% dos casos de violência aos idosos ocorrem em casa
Maurício Sumiya
Juraci Fernandes faz alerta sobre a violência contra o idoso
Um índice alarmante engrossa as estatísticas de casos de violência contra a pessoa idosa em Mogi das Cruzes: 90% das ocorrências acontecem na família, justamente no lugar onde deveria haver amparo e proteção. Para a presidente do Conselho Municipal do Idoso, Juraci Fernandes de Almeida, esses casos correspondem tanto a agressões verbais quanto físicas e incluem até maus-tratos no cuidado básico com os idosos, como falta de higiene e de alimentação.
O alerta foi feito nesta semana, quando se comemorou o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa (CMI), celebrado no dia 15 de junho. "É uma data para refletirmos sobre o que temos feito para diminuir os índices de violência contra os nossos idosos. Os maus-tratos começam em casa e se estendem nos hospitais, casas de repouso e nas ruas", alertou Juraci, que é membro da Comissão de Notificação de Violência em Mogi, representando o segmento idoso.
Para aqueles que consideram que a violência se restringe apenas a agressões físicas ou verbais, Juraci lembra que ocupar indevidamente a vaga de estacionamento de um idoso ou de mantê-lo sem possibilidade de se locomover na sua própria casa ou ainda de tirar a sua prioridade no atendimento são formas de violência contra os seus direitos e à sua dignidade como pessoa.
"Idosos que são cadeirantes e moram em locais não adaptados para a sua condição são vítimas de uma violência camuflada. Ele não pode se locomover pelos cômodos da residência e acaba isolado, sem poder participar das atividades diárias da família. Na hora do banho, por falta de uma cadeira especial ou de adaptações no banheiro, ele sofre a humilhação de outra pessoa ajudá-lo nesta tarefa", alerta Juraci.
Outro problema gerado com casas sem adaptação especial para o idoso é o aumento do número de quedas nesta faixa etária, que faz engrossar as filas nos consultórios médicos. "A nossa sociedade tem de começar a pensar nestas questões que, aparentemente podem ser simples, mas que são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos idosos".
Auxílio
Para a presidente do CMI, uma das formas de tentar reduzir os índices de violência contra o idoso é denunciar os casos de abusos e violação dos seus direitos. A maioria das pessoas, segundo Juraci, desconhece os órgãos que podem ajudá-las, como a Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa, o Centro de Referência do Idoso de Mogi das Cruzes (Cerim), o Ministério Público e o próprio CMI. "Só assim, os casos poderão ser investigados e solucionados". (M.R.A.)
Fonte:Mogi News