terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Rio Tamaduateí transborda em Santo André (SP); motoristas ficam ilhados

A chuva que atinge a Grande São Paulo desde o fim da tarde desta terça-feira provoca alagamentos em diversos municípios. Em Santo André, o rio Tamaduateí transbordou e alagou a avenida dos Estados.
Também chove forte em Mairiporã, Guarulhos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Caieiras e Osasco.

De acordo com a Defesa Civil de Santo André, outros córregos da cidade transbordaram, como o Guarará, alagando a avenida Capitão Mário Toledo de Camargo. O córrego dos Meninos transbordou e ainda há alagamentos na região central do município.
Imagens da TV Bandeirante mostram pessoas tentando resgatar motoristas ilhados na avenida dos Estados, com o auxílio de cordas. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, também resgata ilhados. Segundo a Defesa Civil, ainda não há informações sobre feridos.
Em São Paulo, dois alagamentos bloqueiam totalmente a Radial Leste, na pista sentido bairro. Um deles está próximo ao viaduto Guadalajara e o outro na altura da rua Silva Jardim, de acordo com o o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura.
Segundo o órgão, há bloqueio total ainda na avenida Ragueb Chohfi, sentido Guaianazes, próximo à avenida Bento Guelfi.
A avenida Maria Coelho Aguiar também tem alagamento, na altura da praça Alceu Amoroso Lima, na pista sentido bairro. Havia água ainda na rua São Caetano, em ambos os sentidos. Nas duas vias era possível passa.

Imagens da Defesa Civil de Santo André mostram transbordamento de rios e córregos da cidade

ESTADO DE ATENÇÃO


Por conta da chuva, o CGE decretou estado de atenção para risco de alagamentos em todas regiões da cidade e nas marginais Tietê e Pinheiros.
A chuva forte atinge praticamente São Paulo inteira, afirma o órgão. Na zona leste há pontos mais críticos, com possibilidade de granizo, principalmente entre os bairros Mooca, Penha, Ermelino Matarazzo, Itaquera, Aricanduva, Vila Formosa, São Mateus, Vila Prudente, Cidade Tiradentes e Guaianazes.
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) acionou um plano emergencial de atendimento às enchentes. Os agentes de trânsito que estão em serviço foram deslocados para monitorar os principais corredores de trânsito e locais com maior possibilidade de alagamentos.
A Central de Operações solicitou o reforço das equipes de campo, estendendo o turno de trabalho dos agentes.
AEROPORTO

As chuvas fecharam por dez minutos o aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade.
O fechamento começou às 17h35 e durou até as 17h45. Desde então, o aeroporto funciona por instrumento.

 Folha.com - de São Paulo

Histórias de vida da região serrana do RJ comovem até voluntários acostumados com catástrofes

As histórias de vida das vítimas da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro abalam até mesmo voluntários acostumados a prestar solidariedade em momentos de catástrofe. “São histórias de vida muito difíceis”, disse ao UOL Notícias Sílvio Maffei, dentista que trabalha pela organização não governamental Viva Rio em postos do Programa Saúde da Família. Ele esteve nos últimos três dias dando assistência de saúde a moradores das áreas mais atingidas pela enxurrada em Nova Friburgo.

Desde domingo (16), as equipes de saúde da Viva Rio estão visitando áreas onde a Secretaria Municipal de Saúde de Friburgo ainda não conseguiu chegar para distribuir vacinas e kits básicos de atendimento para a população.
Muitas vezes, "a oferta de um abraço já dá um efeito de consolo", explica. Sílvio tem atuado diretamente com a população mais necessitada e argumenta que faltam ainda informações das áreas que precisam de ajuda.
Morador mostra a destruição provocada por água, pedra e lama na região serrana.
“É preciso agilizar os grupos de assistência e a distribuição de kits de primeiros socorros. Faltam mapeamentos de áreas que têm necessidade de se alcançar. A saúde é importante nesse momento, precisaríamos de um centro de coordenação interligado”, afirma Sílvio, ao ressaltar que falta ainda um comando estratégico para a saúde.
“Não há nenhuma pessoa na cidade que não tenha perdido alguém, algum conhecido”, disse a arquiteta Flávia Maffei, de 30 anos. Ela e seu esposo, Sílvio Maffei, estão mobilizados na causa de Friburgo. Ela foi à cidade como funcionária do Instituto de Terras e Cartografia do Estado (Iterj) e ele, como voluntário.
“Quando começa a chover as pessoas entram em pânico”, comentou Flávia. Ao longo do dia, a temperatura beira os 30 ºC, e no final da tarde o tempo fecha e ameaça chover.


Sem área segura

“Hoje em Friburgo não tem área segura, Friburgo toda é área de risco”, disse o pastor evangélico Sérgio Paulo Garcia Paim, de 45 anos, que abriu as portas de sua igreja para acolher donativos que chegavam do Viva Rio e do Rotary. Ele foi um dos voluntários que colocou à disposição seu próprio carro para levar medicamentos a localidades de difícil acesso, onde os feridos precisavam de tratamento.
Só no bairro Alto do Floresta, onde a situação, segundo Paim, é uma “das mais complicadas”, cerca de 30 pessoas morreram. A Defesa Civil e os Bombeiros ainda demoram para chegar, relata. O bairro de baixa renda é bastante populoso e tem um dos maiores barrancos que caiu e levou cerca de 40 casas na madrugada do dia 12 de janeiro. Lá, a escola municipal Ernesto Tessarolo serve de abrigo e de refeitório para muitas vítimas.
“Ficou um abismo de 100 metros. A quantidade de lixo é impressionante. O que aconteceu aqui foi uma coisa absurda”, disse. Sérgio. No Alto do Floresta ainda há muitos rastros da grande enxurrada. Ao caminhar pelas ruas estreitas do bairro localizado em cima de morros, é possível ver pequenos deslizamentos que atingiram casas. Os bombeiros conseguiram alcançar o Alto do Floresta faz pouco tempo, explica Sérgio, “mas não fizeram resgates pelas possibilidades mínimas de ter vida”.
Ao final da tarde desta segunda-feira (17), quando já começava a escurecer, por volta das18h, o tempo fechou e ameaçou chover. A tensão aumentou entre os moradores. O risco de haver mais uma tempestade e cair mais barrancos assusta. “Meu Deus, segure essa chuva e deixe que isso não caia”, rezava o pastor.
Moradora há 30 anos do Alto do Floresta, Rosa Lemos, disse que as pessoas ainda estão em estado de choque. “Estamos abrigando 80 pessoas aqui na escola municipal e também ajudando aos que vêm para pedir comida. Aqui 32 pessoas morreram, resgatamos todos os corpos e ainda deu para salvar oito vidas”, conta Rosa.
Ela disse que foram os próprios moradores que salvaram. “Não tivemos ajuda de Bombeiros. Os heróis aqui foram os moradores, que, descalços, tiravam os corpos com enxada. Todos os corpos aqui foram identificados pelos familiares e sepultados com dignidade”, relata Rosa, que está coordenando a ajuda na escola municipal.

Fabíola Ortiz
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dilma culpa 'desleixo' com população pobre e isenta governo Lula

Petista diz que ausência de políticas públicas obrigaram população pobre a se instalar em áreas de risco.


Ao falar pela primeira vez sobre as fortes chuvas que atingem o Sudeste do País, a presidenta Dilma Rousseff culpou o "desleixo" no tratamento dado por governantes à população de baixa renda. Embora não tenha citado diretamente o governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, Dilma empenhou-se em deixar claro que a afirmação não se referia ao antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, nem ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), que integra a base de apoio ao seu governo.

"Houve no Brasil um absoluto desleixo em relação à população de baixa renda, que como não tinha onde morar foi morar em fundo de vale, beira de rio, beira de córrego e encosta de morro", afirmou Dilma, em sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse, no dia 1º de janeiro. "Moradia em área de risco é a regra, não a exceção", completou.
Voltando-se a Cabral, a presidenta disse que teria sido fundamental assegurar bons programas de moradia e saneamento. "E aí vou defender o presidente Lula e nós, Serginho, pois nós fizemos uma parceria. Fizemos o PAC em parceria com governos estaduais e prefeituras", disse Dilma, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial.
 
Foto: Roberto Stuckert Filho

Dilma Rousseff visita às áreas atingidas pelas chuvas no estado do Rio de Janeiro



As declarações foram dadas diante de questionamentos sobre a escassez de investimentos na prevenção de enchentes, depois de o País assistir há um ano a uma situação semelhante em Angra dos Reis. Em resposta à mesma pergunta, Cabral empenhou-se em contestar a versão de que teria havido negligência dos governos estadual e federal diante do problema. "Nós tivemos solidariedade e apoio do governo federal", reagiu Cabral.

Dilma prometeu dar todo o apoio necessário ao Rio e a outros Estados prejudicados pela chuva, a exemplo de
São Paulo. Disse que o momento é de resgatar as vítimas da chuva e reconstruir as áreas devastadas pela água. "Vamos fazer com que a reconstrução seja também um momento de prevenção", afirmou Dilma, prometendo colocar toda a estrutura do governo federal à disposição do Estado do Rio. "Agora temos de resgatar as pessoas, temos de reestruturar as condições de vida nas regiões atingidas", completou a presidenta, prometendo remédios e tratamento médico nessas regiões.
Dilma empenhou-se em fazer uma defesa enfática dos programas sociais do governo Lula - além do PAC, a petista fez várias referências ao PAC 2 e ao plano habitacional MInha Casa Minha Vida. Além disso, exaltou as ações do governo para amenizar o impacto das chuvas, como a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para as famílias atingidas.
Questionada, Dilma descartou a utilização das Forças Armadas nos trabalhos de reconstrução das áreas atingidas. Disse que esse papel cabe às empresas privadas que serão contratadas para encaminhar as obras emergenciais. Por fim, mandou um recado às famílias das vítimas. "Envio a eles minha total solidariedade".

Tragédia

O número de vítimas no Rio ultrapassou a marca de 400 no meio da tarde. Entre os mortos, estão familiares do economista Erik Conolly, diretor da holding do Icatu. Em Teresópolis, uma das cidades mais atingidas na Região Serrana, mais de 600 pessoas estão em abrigos, sendo pelo menos 300 em um ginásio, segundo a Defesa Civil municipal.
Com casas destruídas e sem ter para onde ir, famílias interias buscam abrigo em ginário de Teresópolis Segundo balando da Defesa Civil, há pelo menos 13 mil desabrigados (aqueles que perderam tudo e necessitam de abrigos públicos) ou desalojados (aqueles que podem contar com a ajuda de vizinhos e familiares). Em Petrópolis há 3.600 desalojados e outros 2.800 desabrigados. Em Teresópolis a Defesa Civil contabiliza 960 desalojados e 1.280 desabrigados. Em Nova Friburgo, ficaram desalojados 3.220 pessoas e, 1.970, desabrigadas.

iG São Paulo

13/01/2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Moradores de Mauá se recusam a deixar casas interditadas por causa da chuva

Pelo menos 154 casas foram interditadas em Mauá, na região metropolitana de São Paulo, depois da morte de cinco pessoas em desmoronamentos causados pelas chuvas. Grande parte dos moradores desses locais, entretanto, se recusa a deixar as residências mesmo sabendo que, a qualquer nova chuva forte, eles podem se tornar mais uma vítima das tempestades.

Das cinco mortes em Mauá, três ocorreram no mesmo bairro, o Zaira. Duas, em um desmoronamento na semana passada e mais duas na queda de um barranco a poucos metros do primeiro desmoronamento, durante a chuva da madrugada de segunda para terça-feira.
O Zaira é um aglomerado de casas construídas na encosta de alguns morros. Nele, moram milhares de pessoas que, embora vivam sob o risco de acidentes há anos, recusam-se a deixar suas moradias por falta de um outro lugar para morar.
“Não vou assinar coisa nenhuma”, respondeu hoje (12) Daniel de Caldas da Silva à agente da Defesa Civil de Mauá, ao ser informado que sua casa acabara de ser interditada. “Você não me oferecem nenhum lugar para que eu possa ir. Como eu vou sair daqui?”
Daniel mora no Zaira há 13 anos. Construiu com vizinhos e família a sua própria casa, onde ele vive com mais sete pessoas. Entre elas, sua mãe, de 67 anos.
A casa de alvenaria está com sua frente intacta. Porta e janelas novas e o reboco camuflam o perigo. Atrás, porém, acumulam-se quilos de lama que desceram do barranco que desmoronou há dois dias. “Sei que tenho que sair. Já tirei algumas coisas. Mas não tenho onde colocar tudo.”
A situação de Daniel é a mesma de Cícera de Souza Cruz. A casa dela também fica à beira do morro que desmoronou na segunda-feira e foi interditada pela Defesa Civil. Assim como Daniel, ela não cogita deixar o local. “A gente vive com medo, mas não tem saída.”
Na casa interditada moram Cícera e o marido e a irmã dela e o cunhado. O casal teve a casa invadida pela lama. Sabendo do risco de passar a noite ali, Cícera dormiu na casa de vizinhos na noite de ontem. Porém, um furto a fez mudar de ideia.
“Passei um noite fora e invadiram minha casa. Roubaram meu botijão de gás”, disse. “Todas as minhas coisas e da minha irmã estão aqui. Não posso abandonar tudo.”
A prefeitura de Mauá informou que recomenda que todos os moradores de áreas interditadas deixem esses locais imediatamente. Segundo a prefeitura, as famílias desalojadas podem ir para abrigos provisórios montados em escolas ou então para um novo abrigo que será inaugurado amanhã.
A prefeitura também informou que desabrigados poderão ficar no abrigo pelo tempo que quiserem. Ainda de acordo com a prefeitura, as famílias terão direito a auxílio aluguel para que possam arrumar outro local para morar. O valor da ajuda e o tempo que ele será pago, contudo, não foram divulgados.

Vinicius Konchinski

Da Agência Brasil
Em Mauá (SP)  - www.uol.com