Especialistas apontam que a luta contra o racismo e as desigualdades foram principais marcas do parlamentar
Fábio Miranda
Da Redação
Jorge Moraes
Póla: "Digno com suas lutas"
Primeiro militante da região pelo Partido dos Trabalhadores (PT), José Candido ficará marcado na história pela defesa das causas sociais e pela luta contra o racismo. Esta é a opinião de historiadores e sociólogos ouvidos pelo Mogi News.
"É uma grande perda sob muitos aspectos. Desde muito jovem ele lutou contra a desigualdade e a discriminação racial. Na política, ele teve uma relação muito digna com essas lutas, foi um dos únicos parlamentares a não se esquecer dos movimentos sociais", aponta o sociólogo Afonso Pola.
O historiador Mario Sérgio de Moraes concorda com Pola. Para o professor, a morte do parlamentar vai deixar uma lacuna na região. "Tenho a impressão de que a perda de uma figura como ele é de grande impacto não apenas na organização social, mas também pelo que ele representava".
Como vereador de Suzano durante três mandatos consecutivos, de 1989 a 2000, Candido era a voz da oposição. O historiador comenta que antes da eleição que o fez ser o primeiro parlamentar petista na Câmara, o cenário político na cidade e até na região era monopolizado, e chega a compará-lo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A política no Alto Tietê era exercida por monopólios familiares. Raramente no parlamento era visto uma figura com a cara do povo, que era a grande marca dele. Ele foi o ´Lula´ do lado de cá".
Continuidade
Na avaliação dos dois analistas, o espaço que José Candido ocupava no cenário político dificilmente será preenchido. "Gostaria muito, mas acho que não. Além de tudo ele sempre se mostrou muito simples e deixou uma forma muito digna de lidar com o poder. De qualquer maneira, a gente fica um pouco órfão também. Ele deu o pontapé inicial. Tenho minhas dúvidas se vai haver uma continuidade dos movimentos sociais, contudo, espero que a figura de Candido permaneça", finaliza o Moraes.
Fonte:Mogi News
Jamile Santana
De Suzano
A psicóloga Beth Sahão, primeira suplente do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), deverá assumir o lugar do deputado José de Souza Candido, que morreu no último domingo. A deputada deve participar de sua primeira sessão hoje, que após o luto oficial, será dedicado ao parlamentar. O anúncio foi feito pelo presidente da Alesp, o deputado José Antonio Barros Munhoz (PSDB), que compareceu ao velório de Candido no Complexo Poliesportivo Paulo Portela, no centro de Suzano.
A psicóloga mestre em Ciências Sociais já foi deputada estadual por dois mandatos. Durante sete anos, foi secretária de Governo em Catanduva, quando o mandato de seu irmão Félix Sahão. Em seus mandatos anteriores, atuou nas áreas de defesa dos direitos da mulher e desenvolvimento regional de Rio Preto. Nas eleições de 2010, apesar de receber um número expressivo de votos, não conseguiu ocupar uma das 27 cadeiras que o partido possui na Alesp.
Fonte:Mogi News
Daniel Carvalho
"Fui deputado com o José Candido durante uma legislatura na Assembleia. Ele se transformou em um grande amigo. A tranquilidade e a simplicidade dele para lidar com os assuntos eram de uma grande competência. É uma perda para toda região não contar mais com um deputado tão representativo e combativo". Marco Bertaiolli (PSD), prefeito de Mogi
Fonte:Mogi News
Deputado morreu na manhã de domingo e, após homenagens, foi sepultado na tarde de ontem, em Suzano
Felipe Abreu
De Suzano
Jorge Moraes
Adeus: Após cortejo por Suzano, corpo do parlamentar foi sepultado no Memorial do Alto Tietê
Os últimos instantes de homenagem a José Candido, de 69 anos, foram marcados pelo silêncio e pela presença maciça da população suzanense. O deputado estadual morreu na manhã de domingo, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, vítima de infecção respiratória. O sepultamento no Memorial do Alto Tietê ocorreu na tarde de ontem sob forte comoção de amigos, parentes e admiradores.
A multidão que marcou presença nos dois dias de tributo teve maior concentração momentos antes da saída do cortejo, marcado para às 15 horas. Os últimos instantes do velório, realizado no Complexo Poliesportivo Paulo Portela, no centro de Suzano, foram comoventes. Emocionado, o prefeito Marcelo Candido (PT) e os demais filhos e netos do parlamentar, carregaram o caixão até à viatura do Corpo de Bombeiros para o cortejo em carro aberto. Após a saída, o cortejo, escoltado por batedores da Polícia Militar e agentes do Departamento de Trânsito, seguiu por pelas principais vias do centro. Para o horário, as ruas tinham mais pessoas do que de costume. No Memorial do Alto Tietê havia um caminho com muitas coroas de flores vindas de diversas autoridades e admiradores do trabalho que o deputado tinha em defesa da igualdade racial e dos direitos humanos. Além dessas, dois caminhões aguardavam do lado de fora o momento para descarregar outras mais. No ginásio, ainda ficou grande quantidade de flores ofertadas em forma carinho. No Memorial, além de dezenas de carros, dois ônibus traziam admiradores. Autoridades de diversos escalões acompanharam o momento.
No percurso, o povo gritava: "Viva o guerreiro, do povo brasileiro". Antes de fechar o caixão pela última vez, o prefeito de Suzano discursou. "O tempo não foi suficiente para prestar as homenagens do homem que fez tanto bem." No silêncio absoluto, ele voltou-se para a mãe: "Ele fez o que deveria ter sido feito. Ele me ensinou a honra. Muitas vezes, na vida pública, as interpretações são contrárias." Chorando muito o prefeito agradeceu as homenagens e prosseguiu. "Mãe, a senhora sabe o sofrimento que passamos esses dias no hospital. Agora, a senhora vai levar a vida com a gente." Sob aplausos, o caixão foi colocado no jazigo e lacrado por um tampo de cimento.
Fonte:Mogi News