Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli, de O Estado de S. Paulo
Em menos de meia hora, a Câmara Municipal de São Paulo arquivou os três pedidos de abertura de investigação por quebra de decoro parlamentar contra três de seus 55 vereadores, nesta terça-feira, 7. Netinho de Paula (PCdoB), Antonio Goulart (PMDB) e Ushitaro Kamia (DEM) foram absolvidos com apoio da base governista do prefeito Gilberto Kassab (sem partido).
Na semana passada, a Corregedoria da Casa havia aprovado por unanimidade os relatórios que pediam a abertura de representação para investigar os vereadores. Os documentos acusavam os três de má gestão de dinheiro público e quebra de decoro e sugeriam penas que variavam da suspensão de 30 a 90 dias a até a cassação do mandato. Como o plenário recusou a abertura de processo, as investigações no âmbito do Legislativo estão encerradas. A Polícia Civil e o Ministério Público também acompanham os casos.
Netinho havia sido acusado de supostamente ter usado notas frias para justificar seus gastos de gabinete. O caso foi revelado pelo Estado em abril de 2010. O vereador diz não ter cometido irregularidades. A representação contra Goulart também envolvia a verba de custeio — ele contratou uma gráfica que tinha sua própria mulher como sócia para prestar serviços ao seu gabinete. Já Kamia foi alvo de denúncias de desvios de doações da Defesa Civil Municipal para uma ONG ligada ao seu mandato. Ambos negaram as denúncias e se declararam inocentes
Fonte:O Estado de S.Paulo
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Gleisi: ''Vou cuidar dos projetos do governo''
Nova ministra diz estar ''comprometida com gestão'', mas fala em dialogar com oposição
08 de junho de 2011 | 0h 00
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3
Rosa Costa e Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Na primeira entrevista concedida depois de indicada para substituir o ex-ministro Antonio Palocci na chefia da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) garantiu que a articulação política do governo não faz parte das atividades que assumirá quando tomar posse hoje.
Celso Junior/AE
Fardo. 'Não há maldição na Casa Civil', diz nova ministra
"Vou fazer o trabalho que a presidente Dilma está pedindo, que é um trabalho de gestão. Ela quer o funcionamento da Casa Civil na área de gestão, de acompanhamento dos projetos. A presidente disse que meu perfil se ajusta àquilo que ela pretende na Casa Civil. É uma ação de gestão, é com isso que eu estou comprometida", afirmou, lembrando que conhece Dilma desde quando ambas trabalharam na equipe de transição do primeiro governo do ex-presidente Lula.
Apesar de Palocci ser o terceiro ocupante da Casa Civil que deixa o cargo por não conseguir se defender de denúncias - após José Dirceu e Erenice Guerra -, a nova ministra negou a existência de uma "maldição" no cargo.
"Não há maldição na Casa Civil", rebateu. "Temos um projeto extraordinário de transformação deste país, que inclui mudanças na vida das pessoas, é com esse projeto que estou comprometida."
Nova postura. Gleisi adiantou que ao contrário do que ocorre hoje no Senado, adotará um comportamento diferente na Casa Civil, sem discriminar as propostas sugeridas por senadores da oposição. "Amanhã (hoje) vou conversar sobre a relação no Senado, falar dos meus posicionamentos, inclusive com os senadores da oposição, a quem respeito muito", afirmou ao ser questionada sobre a queixa da oposição quanto ao seu modo de "tratorar" os interesses do governo no Senado.
Por fim, a nova ministra lamentou a saída de Palocci, apesar de ser uma das integrantes da bancada que se posicionou quanto à necessidade de ele se explicar publicamente sobre o crescimento de seu patrimônio. "É um momento triste, depois do relatório da procuradoria que colocou de forma muito clara a situação. É uma pena perder o ministro Palocci nesse governo."
"Loura". Assessores próximos da nova ministra asseguram que sua escolha para o cargo pela presidente foi pessoal. Dilma tem afinidade com Gleisi, a quem chama pelo apelido de "Loura".
A nova ministra já foi diretora de finanças em Itaipu e a presidente considera que ela se saiu muito bem no cargo. Elogia também sua atuação, nos primeiros cinco meses de mandato no Senado, quando fez veemente defesa do governo.
Suplente. Com a saída de Gleisi do Senado para assumir a Casa Civil, sua vaga no Senado passará a ser ocupada pelo advogado Sérgio de Souza, primeiro suplente. Casado, 40 anos de idade e natural de Ivaiporã, interior do Paraná, ele é filiado ao PMDB e ligado ao ex-governador Orlando Pessuti, que, como vice-governador, assumiu o Estado durante o ano de 2010, quando o ex-governador Roberto Requião saiu para disputar o Senado.
Fonte:O Estado de S.Paulo
08 de junho de 2011 | 0h 00
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Rosa Costa e Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Na primeira entrevista concedida depois de indicada para substituir o ex-ministro Antonio Palocci na chefia da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) garantiu que a articulação política do governo não faz parte das atividades que assumirá quando tomar posse hoje.
Celso Junior/AE
Fardo. 'Não há maldição na Casa Civil', diz nova ministra
"Vou fazer o trabalho que a presidente Dilma está pedindo, que é um trabalho de gestão. Ela quer o funcionamento da Casa Civil na área de gestão, de acompanhamento dos projetos. A presidente disse que meu perfil se ajusta àquilo que ela pretende na Casa Civil. É uma ação de gestão, é com isso que eu estou comprometida", afirmou, lembrando que conhece Dilma desde quando ambas trabalharam na equipe de transição do primeiro governo do ex-presidente Lula.
Apesar de Palocci ser o terceiro ocupante da Casa Civil que deixa o cargo por não conseguir se defender de denúncias - após José Dirceu e Erenice Guerra -, a nova ministra negou a existência de uma "maldição" no cargo.
"Não há maldição na Casa Civil", rebateu. "Temos um projeto extraordinário de transformação deste país, que inclui mudanças na vida das pessoas, é com esse projeto que estou comprometida."
Nova postura. Gleisi adiantou que ao contrário do que ocorre hoje no Senado, adotará um comportamento diferente na Casa Civil, sem discriminar as propostas sugeridas por senadores da oposição. "Amanhã (hoje) vou conversar sobre a relação no Senado, falar dos meus posicionamentos, inclusive com os senadores da oposição, a quem respeito muito", afirmou ao ser questionada sobre a queixa da oposição quanto ao seu modo de "tratorar" os interesses do governo no Senado.
Por fim, a nova ministra lamentou a saída de Palocci, apesar de ser uma das integrantes da bancada que se posicionou quanto à necessidade de ele se explicar publicamente sobre o crescimento de seu patrimônio. "É um momento triste, depois do relatório da procuradoria que colocou de forma muito clara a situação. É uma pena perder o ministro Palocci nesse governo."
"Loura". Assessores próximos da nova ministra asseguram que sua escolha para o cargo pela presidente foi pessoal. Dilma tem afinidade com Gleisi, a quem chama pelo apelido de "Loura".
A nova ministra já foi diretora de finanças em Itaipu e a presidente considera que ela se saiu muito bem no cargo. Elogia também sua atuação, nos primeiros cinco meses de mandato no Senado, quando fez veemente defesa do governo.
Suplente. Com a saída de Gleisi do Senado para assumir a Casa Civil, sua vaga no Senado passará a ser ocupada pelo advogado Sérgio de Souza, primeiro suplente. Casado, 40 anos de idade e natural de Ivaiporã, interior do Paraná, ele é filiado ao PMDB e ligado ao ex-governador Orlando Pessuti, que, como vice-governador, assumiu o Estado durante o ano de 2010, quando o ex-governador Roberto Requião saiu para disputar o Senado.
Fonte:O Estado de S.Paulo
Chegada dos subúrbios até César vai exigir mobilização
A mobilização permanente da sociedade mogiana, em especial dos moradores de César de Souza, será decisiva para a conquista da extensão do trajeto dos atuais trens de subúrbio até a região central do Distrito, que vive um momento especial de crescimento, graças, especialmente, aos investimentos do setor imobiliário.
Só mesmo a pressão constante dos mogianos junto aos governantes de plantão pode levar a tão esperada conquista. Num País onde as rodovias prevalecem em relação às estradas de ferro, já são muitos os exemplos de frustradas tentativas de fazer com que os trens voltassem a operar na Região. Um exemplo disso pode ser colhido lá atrás, na década de 80, quando o vereador Norberto de Camargo Engellender tentou, sem sucesso, impedir que a antiga Rede Ferroviária Federal desativasse os trens de passageiros que foram sendo colocados para escanteio, pouco a pouco, sob as mais estapafúrdias alegações. Apesar de seu empenho junto com a Câmara da época, a Cidade perdeu um importante meio de transporte para o Vale do Paraíba, Rio de Janeiro e Sul de Minas. Chegava ao fim, de maneira melancólica, a era das ferroviárias iniciada por Barão de Mauá, séculos atrás, quando os minérios e o café justificavam o transporte por trens. Depois vieram tentativas isoladas de uso dos trilhos entre Mogi e o Vale do Paraíba para fins turísticos. Durante muito tempo, os moradores de Sabaúna acalentaram o sonho do trenzinho que circularia entre Mogi e a sede do Distrito aos domingos. Guararema depois entrou no circuito, num outro projeto que tinha o apoio do Colégio São Marcos, mas que também permaneceu no papel. A última promessa partiu do atual prefeito de Guararema, Márcio Alvino (PR), que prometeu colocar em operação um trem turístico entre Guararema e Luiz Carlos, na divisa com Mogi. Nada avançou, o que indica que somente a guarda permanentemente erguida da Cidade, em especial dos moradores de César de Souza poderá fazer com que o governador Geraldo Alckmin cumpra a sua recente promessa e estenda o percurso dos subúrbios até o Distrito. Quem sabe, isso poderá ser um sinal positivo de mais atenção para os trens de passageiros. Os mogianos saberão, certamente, agradecer por isso.
Fefeu
Um político nato, sem nunca ter disputado um só cargo eletivo. Porém, atuante o suficiente para contribuir na eleição de muitos. Fernando Gonçalves, o Fefeu, conheceu como poucos os bastidores da política mogiana porque, de uma ou outra forma, sempre fez parte deles. Vai fazer falta.
Boa notícia
Enfim, uma boa notícia sobre Mogi das Cruzes ganhou destaque, anteontem à noite, no Jornal Nacional. O novo sistema para identificar ações de violência contra crianças com ajuda da informatização, adotado pela administração municipal, recebeu um generoso tempo de exposição, o que confirma a importância do trabalho executado.
Falecimento
Será sepultado hoje às 9 horas, no Cemitério São Salvador, o aposentado João Figueiredo Rodrigues, aos 77 anos. Morador de César de Souza, ele é pai da jornalista Ana Figueiredo, coordenadora de Comunicação Social, da Prefeitura de Mogi. Era viúvo da costureira Cecília, deixa ainda os filhos João e Daniel e quatro netos.
Homenagem
Tramita pela Câmara o projeto do vereador Rubens Benedito Fernandes (DEM) concedendo ao paranaense de Astorga, Carlos Roberto Fonçatti, médico oftalmologista dos bons, o título de Cidadão Mogiano. Fonçatti veio estudar em Mogi em 1977, formou-se em 1983 pela UMC, iniciou carreira no Hospital Ipiranga e nunca mais saiu da Cidade.
Só mesmo a pressão constante dos mogianos junto aos governantes de plantão pode levar a tão esperada conquista. Num País onde as rodovias prevalecem em relação às estradas de ferro, já são muitos os exemplos de frustradas tentativas de fazer com que os trens voltassem a operar na Região. Um exemplo disso pode ser colhido lá atrás, na década de 80, quando o vereador Norberto de Camargo Engellender tentou, sem sucesso, impedir que a antiga Rede Ferroviária Federal desativasse os trens de passageiros que foram sendo colocados para escanteio, pouco a pouco, sob as mais estapafúrdias alegações. Apesar de seu empenho junto com a Câmara da época, a Cidade perdeu um importante meio de transporte para o Vale do Paraíba, Rio de Janeiro e Sul de Minas. Chegava ao fim, de maneira melancólica, a era das ferroviárias iniciada por Barão de Mauá, séculos atrás, quando os minérios e o café justificavam o transporte por trens. Depois vieram tentativas isoladas de uso dos trilhos entre Mogi e o Vale do Paraíba para fins turísticos. Durante muito tempo, os moradores de Sabaúna acalentaram o sonho do trenzinho que circularia entre Mogi e a sede do Distrito aos domingos. Guararema depois entrou no circuito, num outro projeto que tinha o apoio do Colégio São Marcos, mas que também permaneceu no papel. A última promessa partiu do atual prefeito de Guararema, Márcio Alvino (PR), que prometeu colocar em operação um trem turístico entre Guararema e Luiz Carlos, na divisa com Mogi. Nada avançou, o que indica que somente a guarda permanentemente erguida da Cidade, em especial dos moradores de César de Souza poderá fazer com que o governador Geraldo Alckmin cumpra a sua recente promessa e estenda o percurso dos subúrbios até o Distrito. Quem sabe, isso poderá ser um sinal positivo de mais atenção para os trens de passageiros. Os mogianos saberão, certamente, agradecer por isso.
Fefeu
Um político nato, sem nunca ter disputado um só cargo eletivo. Porém, atuante o suficiente para contribuir na eleição de muitos. Fernando Gonçalves, o Fefeu, conheceu como poucos os bastidores da política mogiana porque, de uma ou outra forma, sempre fez parte deles. Vai fazer falta.
Boa notícia
Enfim, uma boa notícia sobre Mogi das Cruzes ganhou destaque, anteontem à noite, no Jornal Nacional. O novo sistema para identificar ações de violência contra crianças com ajuda da informatização, adotado pela administração municipal, recebeu um generoso tempo de exposição, o que confirma a importância do trabalho executado.
Falecimento
Será sepultado hoje às 9 horas, no Cemitério São Salvador, o aposentado João Figueiredo Rodrigues, aos 77 anos. Morador de César de Souza, ele é pai da jornalista Ana Figueiredo, coordenadora de Comunicação Social, da Prefeitura de Mogi. Era viúvo da costureira Cecília, deixa ainda os filhos João e Daniel e quatro netos.
Homenagem
Tramita pela Câmara o projeto do vereador Rubens Benedito Fernandes (DEM) concedendo ao paranaense de Astorga, Carlos Roberto Fonçatti, médico oftalmologista dos bons, o título de Cidadão Mogiano. Fonçatti veio estudar em Mogi em 1977, formou-se em 1983 pela UMC, iniciou carreira no Hospital Ipiranga e nunca mais saiu da Cidade.
Dilma tira Palocci e coloca Gleisi
Dilma tira Palocci e coloca Gleisi
BRASÍLIA
Vinte e três dias depois de provocar a maior crise política no governo de Dilma Rousseff, por causa das suspeitas de envolvimento em tráfico de influência e enriquecimento ilícito, Antonio Palocci pediu demissão da Casa Civil. Ele será substituído pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que tomará posse hoje, às 17 horas, no Palácio do Planalto.
Mesmo obtendo um "nada consta" na segunda-feira do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre todas as acusações que lhe foram feitas pelos partidos de oposição, Palocci não resistiu ao processo de desintegração de seu capital político diante do cerco de aliados.
No final da tarde de ontem Palocci, o mais poderoso ministro do governo de Dilma Rousseff, entregou a carta de demissão. Disse que considerou "robusta" a manifestação do procurador-geral da República o que, segundo ele, confirmou a "retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta."
No final da curta nota, Palocci disse que preferiu solicitar o afastamento por considerar que "a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo." Ele não tem mandato de deputado federal. Ficará longe da cena política por algum tempo.
Foi uma nota protocolar, destas que costumam ser escritas quando um importante ministro sai. Mas Palocci ficou desprestigiado nos últimos dias. Logo depois do parecer do procurador-geral, que o inocentou, ele esperava uma afirmação de apoio por parte da presidente. Mas esta não veio. Palocci disse a parlamentares com os quais esteve durante o dia de ontem que não conseguiu desvendar a "esfinge" que é Dilma. Em nenhum momento ela deixou claro se queria que ele continuasse no cargo ou se saísse. Entendeu que era para sair.
Na segunda-feira à noite, logo depois do parecer do procurador, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), reuniram-se com Palocci. Este disse a eles que estava disposto a ir ao Congresso dar explicações sobre o aumento de seu patrimônio em vinte vezes, em quatro anos, fortuna que teria vindo do trabalho de consultoria feito de 2007 a 2010 para cerca de 25 empresas, e que lhe teria rendido R$ 20 milhões.
Vaccarezza e Henrique Alves levaram a proposta de Palocci à Câmara e começaram a negociá-las em seus partidos e a sondar como a oposição reagiria. Quando a notícia da saída de Palocci chegou à Câmara, eles estavam negociando a ida do agora ex-ministro ao Congresso, para prestar esclarecimentos.
A presidente Dilma Rousseff também divulgou nota para anunciar a saída de Palocci. Disse que recebeu dele uma carta com o pedido de demissão, que a aceitou.
Ainda de acordo com a nota, a presidente destacou a "valiosa participação de Antonio Palocci em seu governo" e agradeceu "os inestimáveis serviços que prestou ao governo e ao País."
Entre os parlamentares do PT que defendiam Palocci e que anunciavam agora a disposição de formar um bloco em defesa do ex-ministro, ficava sempre uma pergunta: como explicar para a sociedade que alguém tenha acumulado em quatro anos uma fortuna de R$ 20 milhões e tenha comprado um apartamento avaliado em R$ 6,6 milhões?
Uma resposta foi dada pelo ministro Gilberto Carvalho. Não aos parlamentares do PT, mas aos jornalistas que estavam na porta do Palácio da Alvorada, fazendo plantão durante almoço da presidente com senadores do PTB: "A permanência dele (Palocci) vai depender da presidente". E Dilma preferiu mudar.
Fonte:O Diário de Mogi
BRASÍLIA
Vinte e três dias depois de provocar a maior crise política no governo de Dilma Rousseff, por causa das suspeitas de envolvimento em tráfico de influência e enriquecimento ilícito, Antonio Palocci pediu demissão da Casa Civil. Ele será substituído pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que tomará posse hoje, às 17 horas, no Palácio do Planalto.
Mesmo obtendo um "nada consta" na segunda-feira do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre todas as acusações que lhe foram feitas pelos partidos de oposição, Palocci não resistiu ao processo de desintegração de seu capital político diante do cerco de aliados.
No final da tarde de ontem Palocci, o mais poderoso ministro do governo de Dilma Rousseff, entregou a carta de demissão. Disse que considerou "robusta" a manifestação do procurador-geral da República o que, segundo ele, confirmou a "retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta."
No final da curta nota, Palocci disse que preferiu solicitar o afastamento por considerar que "a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo." Ele não tem mandato de deputado federal. Ficará longe da cena política por algum tempo.
Foi uma nota protocolar, destas que costumam ser escritas quando um importante ministro sai. Mas Palocci ficou desprestigiado nos últimos dias. Logo depois do parecer do procurador-geral, que o inocentou, ele esperava uma afirmação de apoio por parte da presidente. Mas esta não veio. Palocci disse a parlamentares com os quais esteve durante o dia de ontem que não conseguiu desvendar a "esfinge" que é Dilma. Em nenhum momento ela deixou claro se queria que ele continuasse no cargo ou se saísse. Entendeu que era para sair.
Na segunda-feira à noite, logo depois do parecer do procurador, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), reuniram-se com Palocci. Este disse a eles que estava disposto a ir ao Congresso dar explicações sobre o aumento de seu patrimônio em vinte vezes, em quatro anos, fortuna que teria vindo do trabalho de consultoria feito de 2007 a 2010 para cerca de 25 empresas, e que lhe teria rendido R$ 20 milhões.
Vaccarezza e Henrique Alves levaram a proposta de Palocci à Câmara e começaram a negociá-las em seus partidos e a sondar como a oposição reagiria. Quando a notícia da saída de Palocci chegou à Câmara, eles estavam negociando a ida do agora ex-ministro ao Congresso, para prestar esclarecimentos.
A presidente Dilma Rousseff também divulgou nota para anunciar a saída de Palocci. Disse que recebeu dele uma carta com o pedido de demissão, que a aceitou.
Ainda de acordo com a nota, a presidente destacou a "valiosa participação de Antonio Palocci em seu governo" e agradeceu "os inestimáveis serviços que prestou ao governo e ao País."
Entre os parlamentares do PT que defendiam Palocci e que anunciavam agora a disposição de formar um bloco em defesa do ex-ministro, ficava sempre uma pergunta: como explicar para a sociedade que alguém tenha acumulado em quatro anos uma fortuna de R$ 20 milhões e tenha comprado um apartamento avaliado em R$ 6,6 milhões?
Uma resposta foi dada pelo ministro Gilberto Carvalho. Não aos parlamentares do PT, mas aos jornalistas que estavam na porta do Palácio da Alvorada, fazendo plantão durante almoço da presidente com senadores do PTB: "A permanência dele (Palocci) vai depender da presidente". E Dilma preferiu mudar.
Fonte:O Diário de Mogi
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