sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mantega admite alta de juros dos empréstimos com anúncio de novas medidas

JULIANA ROCHA
EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
 
O ministro acrescentou, porém, que considera oportunas as medidas diante da expansão do crédito no país.

"É claro que isso vai encarecer um pouco o crédito, mas nesse momento em que há expansão é oportuno fazê-lo", afirmou o ministro da Fazenda.
Mantega disse ainda que o nível de financiamento no Brasil já voltou ao nível anterior à crise financeira dos Estados Unidos, iniciada em 2008.
Apesar da preocupação do governo com o mercado de crédito no país, Mantega negou que a qualidade dos financiamentos, como o nível de inadimplência e a capacidade de pagamento, seja ruim.
"Não é que o crédito está preocupante. Hoje já foi totalmente restabelecido o crédito do período pós-crise. Tem que dar uma moderada para que não passe dos limites", afirmou.

MEDIDAS

O Banco Central anunciou hoje uma série de medidas para reduzir o ritmo de aumento do crédito e intensificar o processo de desaceleração da economia, a fim de evitar o aumento da inflação.
Haverá aumento do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC), para retirar R$ 61 bilhões da economia, restrição para empréstimos de longo prazo a pessoas físicas e retirada da ajuda do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para bancos de menor porte.
O depósito compulsório é um dos instrumentos que o Banco Central usa para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia. O mecanismo influencia o crédito disponível e as taxas de juros cobradas. A medida adotada neste momento pelo governo foi tomada para tentar conter a inflação.
O objetivo, de acordo com o presidente do BC, Henrique Meirelles, é restabelecer as condições do mercado de crédito no período pré-crise de 2008 e evitar a formação de bolhas.


MEDIDAS

Além do aumento do compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, as emissões de Letras Financeiras ficarão isentas de recolhimento compulsório (depósitos a prazo).
"Essa medida reduz a liquidez do mercado e inibe a formação de bolhas e a assunção de riscos que podem ser negativos para a saúde da economia no futuro. Elimina também o restante das medidas de liquidez introduzidas durante a crise", disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Em relação ao crédito para pessoas físicas, os bancos terão de possuir uma reserva maior de capital para conceder empréstimos nas linhas: consignado (acima de 36 meses), veículos (acima de 24 meses, dependendo do valor da garantia) e outros financiamentos acima de 24 meses.
Financiamentos imobiliários, crédito rural e compra de veículos de carga (ônibus e caminhões) não serão atingidos pela medida.

INFLAÇÃO

Meirelles destacou que essa medida também tem implicações macroeconômicas, "com impacto no mercado de crédito e também via preços".
Ele afirmou que essas ações "macro-prudenciais" não substituem a política de regulação da taxa básica de juros, mas devem ser usadas de forma complementar pelo BC.
"É prudente não dissociar essas ações das de política monetária. São complementares e usadas em situações diferentes. Em março de 2010, o BC também elevou as alíquotas de compulsório e, em abril, adotou medidas de política monetária com o aumento da taxa Selic", disse o presidente do BC.

CARTEIRAS DE CRÉDITO

Em relação a carteiras de crédito, o governo vai manter o incentivo para bancos grandes comprarem ativos de instituições menores. A medida acabaria no próximo dia 31, mas foi estendida até junho de 2011.
O governo também anunciou o cronograma de retirada do mecanismo que permitiu a bancos emitir títulos que tinham garantia do FGC. Começa em janeiro de 2012 e termina em janeiro de 2016.

Folha.com - 03/12/2010

Reação no PMDB barra Côrtes na Saúde


Secretário vira alvo de disputa entre governador do Rio, seu padrinho, e a direção do partido; suspeita de corrupção também atrapalha

02 de dezembro de 2010 | 0h 00
Eugênia Lopes, Vera Rosa, Rosa Costa/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Menos de 24 horas depois de ter sido anunciado como o escolhido para o Ministério da Saúde da presidente eleita, Dilma Rousseff, o médico ortopedista Sérgio Luiz Côrtes viu seu nome revogado do cargo em meio a uma crise política envolvendo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e a bancada peemedebista na Câmara.
Cabral era o padrinho da indicação, que não foi acatada nem pelo vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), nem pela bancada do partido.
Dilma ficou irritada com o que chamou de "precipitação" no anúncio de nomes do ministério. Em reunião com médicos, ontem, no Centro Cultural Banco do Brasil, ela afirmou que os indicados para o setor ainda não foram definidos. "Eu queria deixar claro para vocês que ainda não escolhi o meu ministro da Saúde", alertou, diante de uma plateia formada por nomes de peso, como o cardiologista Adib Jatene. E acrescentou: "Mas ele (o novo ministro) honrará a tradição de Temporão e Adib Jatene".
"O anúncio precipitado do nome de Côrtes o fez, provavelmente, dormir ministro e acordar sem a pasta", resumiu o deputado Rocha Loures (PR). Em reunião na Câmara, as lideranças do PMDB rejeitaram endossar o nome do secretário de Saúde do Rio. Se a presidente quiser mantê-lo, ele entra como parte de sua "cota pessoal", disseram.
Foi o próprio governador Cabral que, no Rio, anunciou formalmente a suposta escolha de Sérgio Côrtes para suceder a José Gomes Temporão. "Foi feito o convite por mim, em nome da presidente, e ele aceitou", confirmou Cabral na terça-feira à tarde, no Rio. No encontro da noite anterior, na Granja do Torto, Dilma advertiu o governador de que a indicação teria de passar pelo crivo do PMDB na Câmara e no Senado.
Fato consumado. Em conversas reservadas, integrantes da equipe de transição entendem que Cabral quis "criar um fato consumado" e acabou causando desconforto político na aliança governista. O presidente do PMDB, Michel Temer, não escondeu sua contrariedade com o anúncio de Côrtes - ele sequer participou da reunião em que o assunto foi tratado. Segundo seu relato, Cabral lhe telefonou para dizer que o pedido partiu de Dilma. "Ele disse: "Ó Temer, não procurei ninguém (do partido) porque isso foi cota pessoal. Ela (a presidente) me chamou, queria um técnico para a Saúde, disse que aprecia muito o trabalho de Sérgio Côrtes e, portanto, entrava na cota pessoal dela"", afirmou o vice eleito. Além disso, a cúpula do PT descobriu que há várias denúncias contra a gestão de Côrtes na Saúde do Rio.
Sabendo da contrariedade da bancada, Temer pediu licença a Cabral para relatar a conversa ao partido. "Pode divulgar", respondeu Cabral.
O PMDB adianta que não pretende ser "barriga de aluguel" para abrigar o indicado de Sérgio Cabral. Assim como Nelson Jobim, na Defesa, não pode ser creditado à conta do partido, o mesmo se aplicaria no caso da Saúde. Ao final do encontro da bancada, ontem, o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), foi evasivo sobre a manutenção da indicação de Côrtes: "Pode ser que sim, pode ser que não." COLABORARAM ANDREA JUBÉ VIANNA, DENISE MADUEÑO e CHRISTIANE SAMARCO.

Deputado Federal Valdemar Costa Neto participa do 2º Encontro de Republicanos

O deputado federal e secretário geral do PR, Valdemar Costa Neto, será um dos participantes do 2º Encontro Nacional dos Republicanos que acontece nos próximos sábado e domingo, no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília. 

O encontro que reunirá integrantes do PT Mulher e PR Jovem será a primeira grande reunião após as últimas eleições, em que o partido elegeu 41 deputados federais, 49 deputados estaduais e cinco senadores. 

Um balanço do último pleito deverá acontecer durante os dois dias de reuniões e debates, embora a tônica principal seja mesmo um aprofundamento da discussão sobre o papel das mulheres e do jovem na sociedade brasileira e dentro do próprio PR. 

A reunião do PR Jovem terá início no sábado, às 15 horas, no plenário da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com uma cerimônia que contará as presenças do presidente nacional do PR, o ex-ministro dos Transportes e atual senador Alfredo Nascimento, o deputado Costa Neto e a coordenadora nacional do PR Jovem, vereadora Clarissa Garotinho, filha do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, deputado federal mais votado daquele Estado, nas eleições passadas. A programação prevê apresentações de trabalhos do PR Jovem nos estados, seguidas de debates. 

Cerca de 200 jovens são esperados para as discussões, que envolverão temas relacionados a diferentes pontos do País. O ponto alto do programa está marcado para domingo, a partir das 10 horas, com a plenária do 2º Encontro Nacional de Mulheres Republicanas, com uma temática semelhante à do dia anterior. Integrantes do PR de Mogi e Região deverão estar presentes aos dois dias de reuniões em Brasília.

Opinião

Amigo de todos
Bertaiolli, por sua vez, disse anteontem que o fato de acompanhar Kassab não infere que haja qualquer separação política com Alckmin. Pelo contrário, o que o prefeito quer é manter o bom relacionamento com o dono da chave do cofre paulista a partir de 2011. Bem visto pelo tucano, o prefeito mogiano pode até servir de interlocutor entre o grupo de Alckmin e o grupo de Kassab.
Divulgação


Mapa da mina
Deu no Estadão do último domingo: O PR foi o partido que mais cresceu em bancada na Câmara dos Deputados nas últimas eleições e, por causa disso, teve o maior ganho em tempo de TV e rádio. Do 1 minuto e 37 segundos diários atuais, a legenda irá se fartar de 2 minutos e 39 segundos, uma diferença de 1 minuto e 2 segundos. A barganha de apoios Brasil adentro, em razão disso, também irá aumentar.


Lucros mogianos
O PSC, que em Mogi tem nova dona, a família Lopes, foi o segundo partido que mais cresceu: sairá dos inexpressivos 35 segundos para 1 minuto e 6 segundos, um acréscimo de 31 segundos. Outra legenda que cresceu bastante foi o PSB, que em Mogi tem o vereador Chico Bezerra como seu expoente maior. Deixará seu 1 minuto e 45 segundos para ter em mãos a preciosidade de 2 minutos e 12 segundos, um ganho de 27 segundos.




Perdas diversas
Partidos antes maiores, como o PTB, que tem o vereador Olimpio Tomiyama em Mogi; o PMDB, que na cidade deverá receber o grupo de Bertaiolli; o PPS, do deputado estadual Luiz Carlos Gondim Teixeira; o PSDB, do vice, José Antonio Cuco Pereira; e o DEM, que deve ficar sem ninguém; tiveram perdas consideráveis de tempo de rádio e TV. PP, PRTB, PHS, PRP, PSL e PSOL, todos sem representação no Legislativo mogiano, que tinham quase nada, ficaram exatamente na mesma depois do último pleito.
Maurício Sumiya


A longo prazo
Quanto ao PR, o avanço é mais um estágio de crescimento da legenda que nasceu PL, em 1985, das mãos do então deputado federal fluminense Álvaro Valle, e que passou a ser comandado, em meados da década passada, pelo deputado federal Valdemar Costa Neto (PR), o Boy, vivendo épocas de vacas magras, no governo FHC, queimando no inferno do mensalão e virando, depois disso, PR, para influir como poucos no governo Lula.
Divulgação


Sem aerotrem - I
Cena de 2003, quando o deputado estadual reeleito pela primeira vez Luiz Carlos Gondim Teixeira queria deixar o PV, indisposto com o grupo comandado por José Luiz Penna: um almoço no Restaurante dos Deputados, na Assembleia Legislativa, com ninguém menos do que o homem do aerotrem, Levi Fidelix. O objetivo era estudar a possibilidade de ser o primeiro nome do PRTB de São Paulo, mas não deu certo.


Sem aerotrem - II
Bom para Gondim, que, protegido pelo anjo da guarda, preservou sua biografia, depois se filiou ao PTB, ao PL (hoje PR) e acabou firmando o pé, a partir de 2005, no PPS. 



Novo líder
A provável reeleição de Mauro Araújo (PSDB) para a presidência da Câmara deve alavancar ainda mais seu status de liderança política, que começou a ser conquistado na primeira eleição, em 2009. Araújo tem demonstrado habilidade para negociar apoios. Passará, definitivamente, a compor o rol de grande líderes mogianos, dividindo o cenário com Bertaiolli, Cuco, Junji, Valdemar Costa Neto e Gondim.