quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Fugitivos do Comando Vermelho estariam espalhados por favelas do Rio

RIO - Fugitivos do Complexo da Penha e do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, os traficantes do Comando Vermelho (CV) estão pulverizados em favelas de menor porte para evitar uma prisão em massa. Nesta quinta-feira, 2, quatro deles foram presos em diferentes pontos da cidade.
De acordo com os relatos de moradores e policiais, depois da escapada por galerias pluviais e de esgoto, as lideranças do tráfico foram para o Morro do Juramentinho, em Tomás Coelho, no subúrbio do Rio, a cerca de 6 km do local onde ocorria o confronto entre policiais e criminosos. A favela serviu de base para que a quadrilha se dividisse em fuga pela zona norte e Baixada Fluminense. Hoje, em investida para descobrir o paradeiro dos fugitivos, policiais civis prenderam Thiago Braga de Souza Silva, de 24 anos, o Sapão, gerente do tráfico no Juramentinho.
Na Vila Cruzeiro, os moradores relatam que boa parte do chamado 'segundo escalão do tráfico' obteve refúgio na Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, na zona norte, a cinco quilômetros da favela do Complexo da Penha. Moradores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, afirmam que notaram a presença de homens estranhos no Complexo da Mangueirinha.
Os agentes da inteligência da 59ª Delegacia de Polícia negam. 'Estamos monitorando a Mangueirinha, apenas porque o chefão de lá morreu em confronto no Alemão', afirmou um investigador, referindo-se a Luiz Carlos Nesse José, o Olho de Vidro. Desde domingo, o Hospital de Saracuruna recebeu cinco baleados, mas sem relação direta com os tiroteios na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.
Fora dos chamados quartéis do tráfico, os traficantes dos dois conjuntos de favela são capturados com relativa facilidade pela polícia. 'O marginal desarmado e fora de seu habitat é menos bandido', repetiu, durante toda a semana, o secretário de Segurança Pública do Rio José Mariano Beltrame. O chefe de da Polícia Civil, Alan Turnowski concorda. 'A prisão deles acontecerá em lugares de muito mais fácil acesso', disse.
Hoje, Alex Gomes da Silva, de 24 anos, foi preso em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, município vizinho de Duque de Caxias. Policiais disseram que o acusado fugiu da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão e depois ficou escondido na cidade. Em outra operação, a polícia prendeu em Santa Teresa, na região Central do Rio, Marcos César Alves Romão, de 29, apontado como segurança de Fabiano Atanázio, o FB, ex-chefe do tráfico na Vila Cruzeiro. Dois fugitivos também foram presos em Campo Grande (zona oeste).


Por Pedro Dantas, estadao.com.br, Atualizado: 2/12/2010 18:15 - Estadão.br

Dilma anuncia amanhã Lobão para Minas e Energia e Wagner Rossi para Agricultura

A presidente eleita, Dilma Rousseff, bateu o martelo sobre a nomeação de dois peemedebistas para seu ministério. A petista vai anunciar amanhã os nomes de Edison Lobão para o Ministério de Minas e Energia e de Wagner Rossi para continuar na Agricultura.
Dilma oficializará, ainda, a nomeação de seu núcleo político, os ministros com assento no Palácio do Planalto: Antonio Palocci na Casa Civil; e Gilberto Carvalho na Secretaria-Geral. Ainda é possível que formalize Alexandre Padilha para continuar no comando das Relações Institucionais, cargo também com gabinete palaciano.

No bloco de titutales que serão confirmados na sexta-feira, ainda pode integrar o deputado José Eduardo Cardozo, convidado pela presidente eleita para assumir o Ministério da Justiça. Paulo Bernardo, escolhido para as Comunicações, também pode ser apresentado na mesma data.
Esta será a segunda etapa de anúncios feita na transição, já que os nomes da equipe econômica foram divulgados há oito dias. Na ocasião, foram oficializados os ministros Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central).
A decisão de já formalizar os dois nomes peemedebistas foi tomada para acalmar os ânimos do maior partido da aliança em torno da petista. A legenda, que reivindica cinco ministérios, ameaçou um motim depois que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), apontou seu secretário Sérgio Côrtes como nome certo para o Ministério da Saúde. Como a decisão não passou pelas bancadas do PMDB no Congresso, nem pelos dirigentes partidários, houve descontentamento público e o auxiliar de Cabral acabou enfraquecido.
Para evitar crise maior, a presidente eleita teve de dizer, publicamente, que ainda não havia definido o titular da pasta.




NATUZA NERY

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA  - Folha.com 02/12/2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PT vai escolher quem ocupará presidência da Câmara primeiro, diz líder do PMDB

NATAL (RN) - Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN) admitiu que será do PT a decisão de indicar qual partido deverá ocupar a presidência da Casa primeiro. 'Como o PT fez a maior bancada, a prerrogativa de escolher indicar o presidente para o primeiro ou segundo biênio será do PT. Mas o PMDB só aceitará se o PT assinar um documento como fizemos nessa legislatura', disse o deputado federal peemedebista, que é candidato a presidente da Casa.

Embora confirme que a decisão será do partido aliado, Henrique Eduardo frisou que o acordo só prosperará se for assegurado que o presidente do biênio seguinte será indicado do PMDB. 'O documento já foi entregue a José Eduardo Dutra, falta o PT assinar', destacou o líder peemedebista.
O deputado observou que, se o PMDB estiver na presidência no primeiro biênio, terá a atribuição de comandar a reforma política. Caso fique com o segundo biênio, estará na presidência da Casa na campanha de 2014. 'Eu, presidente da Câmara, só abro as portas quando começarmos a discutir a reforma política. Precisamos começar a discutir a reforma política logo', destacou.
Enquanto o PMDB admite deixar a critério do PT a decisão sobre qual partido ocupará a presidência primeiro, os peemedebistas já cuidam em definir nomes para os ministérios. Henrique Eduardo Alves afirmou que, para o Ministério da Integração Nacional, deverá ser indicado o deputado federal Marcelo Castro. Já o deputado Wagner Rossi deverá ir para o Ministério da Agricultura. 'Esses são dois nomes que já despontam na Câmara dos Deputados para indicarmos. Eles estão na dianteira e os nomes estão com Michel Temer', comentou.
O deputado confirmou que o senador Edison Lobão ficará no Ministério da Minas e Energia e que a bancada do PMDB no Senado indicará o titular do Ministério das Comunicações.

Por Anna Ruth, especial para O Estado de S.Paulo, estadao.com.br 26/11/2010

800 homens do exército chegam ao Alemão

800 homens do exército chegam ao AlemãoO comandante do Comando Militar do Leste, general Adriano Pereira Júnior, afirmou há pouco que homens do Exército já ocupam parte dos entornos do Complexo do Alemão e que o deslocamento de militares para cercar a comunidade continua. 'Neste momento já ocupamos um trecho e estamos ocupando o restante', disse, durante coletiva no Palácio Guanabara, ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, do governador Sérgio Cabral e do secretário da Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.
Depois de pedido do governo do Estado ao Ministério da Defesa, a Presidência da República autorizou a participação de 800 homens da brigada de paraquedistas na operação. Segundo Jobim, o papel do Exército será o de prover segurança ao perímetro. Cerca de 60% dos militares que participarão na operação atuaram no Haiti. Além da tropa, 10 blindados da Marinha e três helicópteros da Aeronáutica darão apoio à operação.

De acordo com o general Pereira Júnior, o Exército não deixará de revidar, caso seja atacado pelos traficantes. 'Se formos atascados, não temos como não responder. Estamos com armas, que serão usadas se necessário', afirmou. 'São pessoas experientes, bem orientadas. Se tiver que haver confronto, infelizmente vamos ter que partir para isso', disse sobre os militares que participam da missão.
Beltrame ressaltou que um policial (militar, civil ou federal) estará em cada equipe de militares para, se necessário, fazer abordagens de carros e pessoas nos acessos ao Complexo do Alemão. 'Decidimos manter um policial com os militares para não termos esse tipo de problema (questionamento à respeito da legalidade da atuação do Exército)', disse. Segundo ele, a princípio o Exército não entrará nas favelas. Durante a coletiva, Jobim, tentou dissolver polêmicas sobre o comando das ações. 'Há áreas muito definidas de função, então não se tem que entrar em discussões sobre comandos da operação', declarou. Segundo ele, o governo estadual definirá as áreas estratégicas de atuação e o governo prestará o apoio necessário. Jobim afirmou ainda que a Cabral foi corajoso ao pedir o apoio do governo federal. 'A operação que segue tem grande risco', declarou.
BALANÇO Subiu para três o número de mortos em confrontos com a polícia militar do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 26, segundo balanço parcial da PM. Duas pessoas foram presas e outras duas estão feridas. Uma das mortes ocorreu em São Cristóvão, outro no Morro do Juramento e o terceiro, identificado como 'Thiaguinho G3', em Inhaúma.
Segundo o balanço, dois suspeitos foram detidos em Mesquita, onde foram apreendidos uma pistola e um revólver. Em São Cristóvão, oito coquetéis molotov, uma garrafa de gasolina e um revólver 38 foram apreendidos. Um foi preso. Já no Morro do Juramento, uma pistola 380 foi encontrada. Tiroteio. Um policial militar do 16º batalhão (Olaria) ficou ferido na cabeça durante uma troca de tiros entre agentes federais, PMs e traficantes na entrada da favela da Grota, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Os criminosos se encontram se encontram em uma casamata na entrada da favela, a menos de 100 metros de onde estão posicionados os policiais.
Penha. A Polícia Civil também troca tiros com traficantes no Complexo da Penha, na zona norte. Dois helicópteros sobrevoam o complexo e dão rajadas de metralhadora. Os tiros aparentemente partem da favela da Chatuba, onde hoje pela manhã estiveram diversas equipes da Polícia Civil, em carros.
Vila Cruzeiro. Dez policiais do Bope junto com outros dez policiais militares fizeram na manhã de hoje uma varredura na parte baixa da região, onde as marcas da operação de ontem ainda são visíveis. A polícia está fazendo buscas em residências e também revista transeuntes. Na estrada José Lucas estão as carcaças de três caminhões incendiados. Em consequência dos ataques, fios de energia elétrica foram queimados, deixando sem luz toda a região e prejudicando os comerciantes que ainda assim resolveram abrir suas portas.
Na Rua Jaques Maritaim, antiga Rua 14, há pelo menos 30 motos abandonadas, que foram apreendidas pela polícia. Na Rua 13, onde os traficantes se abrigavam em seu bunker, há restos de comida, abandonados provavelmente no momento do tiroteio. A polícia encontrou ainda no local 'jacarés', que são canos com pedaços pontiagudos de ferro, usados para impedir a aproximação de carros.
'O que acontece é que há uma rota de fuga difícil de alcançar', explicou o subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, referindo-se às imagens do helicóptero da TV Globo que mostraram ao vivo a fuga em massa da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão pela Serra da Misericórdia. As imagens repercutiram na internet e motivaram críticas no Twitter - usado pelo governo para rebater boatos.
Pelo menos 35 pessoas já morreram no Rio desde domingo. O número não inclui os mortos de ontem na Vila Cruzeiro, quartel-general do Comando Vermelho - o total não foi revelado pelo governo. Ontem, os ataques continuaram e se espalharam pela cidade, atingindo até o Túnel Rebouças, que liga as zonas norte e sul. Nos cinco dias, pelo menos 61 veículos já foram incendiados.
Queixas. O apoio do Exército veio após queixas durante do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Ele agradeceu à Marinha por ceder os equipamentos, mas fez uma crítica velada ao Exército. 'Não ofereceram nada.' Horas depois, os Ministérios da Defesa e da Justiça anunciaram o reforço de Exército e Polícia Federal. (Marcelo Auler, Pedro Dantas, Márcia Vieira, Gabriela Moreira, Bruno Boghossian, Talita Figueiredo, Roberta Pennafort, Alfredo Junqueira, Clarissa Thomé e Glauber Gonçalves)



estadão.com.br - 26/11/2010